Pode-se passar por este processo por que se tem necessidade ou desejo. A necessidade fica clara quando identificam-se na vida situações em que temos dificuldade de passar por elas, sentimos bloqueios ou percebemos que sempre nos auto-sabotamos, isto repetidamente, toda a vez que enfrentamos o mesmo tipo de situação. Já o desejo é algo mais comum de uns tempos para cá. Vivemos num mundo em meio a uma grande mudança de conceitos e por vezes não sabemos como arrumar tudo isto dentro de nós. A psicoterapia é tanto uma forma de tratamento como uma forma de autoconhecimento.

São três os eixos de fenômenos presentes na terapia que a caracterizam. O desabafo, o treino em aprofundar-se nas próprias ideias e a mudança de comportamento em si. O desabafo pode ser feito inclusive com amigos íntimos; mas a amizade para por aí. O treino de aprofundar-se em suas próprias ideias só pode ser feito no acompanhamento por um profissional do comportamento por que só este baseia-se nas teorias para suportar a função de receber profundamente a pessoa do outro; além de aí o paciente contar com o contrato do sigilo profissional. E a mudança de comportamento, mais uma vez, esta baseada nas teorias do comportamento; uma vez que do ponto de vista do senso comum todo comportamento pode ser válido, e um amigo não pode tomar a postura de analisar o outro por que a amizade sofreria um trauma.
Por fim consideremos a psicofarmacologia, o uso de psicotrópicos. Estes foram muito difundidos nos últimos vinte anos. Mas aqui a questão é a diferença entre mente e cérebro. As dificuldades psicológicas são originadas na mente, que só é passível de mudança pela psicoterapia. No corpo sente-se ‘meramente’ o efeito das dificuldades da mente. Desta maneira o psicotrópico tem, por exemplo, o poder de diminuir a tristeza depressiva, mas não de ajudar o paciente a superar as causas de sua depressão, o que vai depender dele mudar a sua visão e a sua postura frente aos fatos ocorridos em sua vida; da mesma maneira quanto à ansiedade e às suas causas mais profundas, bem como aos outros sofrimentos psíquicos.